Porquice nas ruas

4 01 2012

Porquice nas ruas

Eu fico fudido da vida quando vejo isso…





Para construir a sociedade, com consciência!

4 01 2012

Cada vez mais o altruísmo dá lugar à prática automática e mecanizada das leis formais ou não da civilização. Quando alguém deixa de jogar lixo em um local público, está mais preocupado com uma possível cesura moral ou em se reconhecer como indivíduo educado, que conhece e segue as normas, do que exercendo conscientemente seu papel como membro de uma comunidade.

Isso ocorre porque as pessoas são ensinadas a seguir as leis, mas poucas vezes são educadas a refletir sobre elas. Na maior parte do tempo o simples respeito às regras já é um grande avanço na vida em sociedade mas o que ocorre, no entanto, quando não há uma supervisão, o risco de uma repreensão ou censura? O cidadão que não entende seu papel como tal se sentirá tentado a transgredir naqueles momentos em que não há ninguém olhando.

Essa forma mecânica de agir frente às leis, começa cedo, quando aprendemos a seguir ordens sem que nos informem a importância destas para os outros e para nós mesmos. É a hierarquia que costuma justificar a necessidade de cumprimento  das regras. mas esta também é vaga e frágil quando não sabemos onde está ancorada sua legitimidade.

Resultado disso é que o cidadão se torna indiferente e individualista. Ele dorme de consciência tranquila por ter feito “sua parte” na sociedade e não por ter colaborado com o bem estar social, o que fez sem ter consciência disso.

É preciso que as pessoas compartilhem do projeto comum, e consciente, de construção da sociedade, para que possam então ser protagonistas neste processo. Não basta seguir as leis, é preciso também entendê-las e quando preciso, questioná-las para que o altruísmo se estabeleça nas ações humanas, e não seja substituído pelo mero cumprimento das obrigações.





Guaíra é 4ª em qualidade de vida no país

14 03 2011

Quem diria, Guaíra está em 4o lugar no índice de Desenvolvimento Municipal. Não é atoa, a cidade é muito organizada (e bonita) comparada com outras do mesmo tamanho. Falta um pouco de cultura, a educação não é la essas coisas também, mas como o ranking é comparativo provavelmente as dos outras devem estar bem ruins mesmo nestes quesitos.

Na real, não é novidade nenhuma de que a gente tem uma qualidade de vida muito melhor no interior do que nas grandes cidades.  Pra mim um país ideal seria organizado por pequenas cidades, com indústria comércio e agricultura distribuídos geograficamente e também socialmente. Eu não gosto de São Paulo. Quem procura solução para esta cidade, na minha opinião, está perdendo seu tempo. É gente demais, espaço de menos. Não é de se impressionar, que a capital melhor posicionada no ranking é Curitiba, em 47º. As cidades médias estão bombando.

Explicando o índice

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) nasceu em resposta à necessidade de se monitorar anualmente o desenvolvimento sócio-econômico de uma região, considerando as diferentes realidades de sua menor divisão federativa: o município.

Emprego & renda, Educação e Saúde constituem as três esferas contempladas pelo IFDM, todas com peso igual no cálculo para determinação do índice de desenvolvimento dos municípios brasileiros.

O índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior será o nível de desenvolvimento da localidade, o que permite a comparação entre municípios ao longo do tempo.

O IFDM distingue-se por ter periodicidade anual, recorte municipal e abrangência nacional. Por ter recorte municipal, foram privilegiados os aspectos básicos indispensáveis ao desenvolvimento local.





Livro sobre as Bombas Cluster

25 01 2011

Com o comentário de Gustavo Vieira na minha matéria sobre Bombas Cluster, cheguei até seu livro, produzido com o objetivo de qualificar o debate nacional a respeito da posição brasileira sobre estas e outras armas consideradas ainda mais cruéis e desumanas do que os armamentos convencionais.

Como já exposto em alguns posts deste blog, que tem um certo foco nestas questões militares, é indispensável que os brasileiros passem a conhecer melhor as Forças Armadas, sua forma de pensar, seus objetivos, suas armas e a forma com que treinam para utilizá-las. Diferente de outras instituições republicanas como o Congresso, a Presidência e os Ministérios; o Exército, a Marinha e a Aeronáutica são praticamente desconhecidos dos brasileiros, principalmente pela falta de atenção da mídia e pelo fim do papel central que os militares tinham na política do País durante a ditadura.

O Brasil nunca utilizou bombas cluster em um conflito armado, pois não participou de nenhum desde a Segunda Guerra Mundial, onde esse armamento começou a ser desenvolvido. Apesar disso, era até há pouco tempo um importante produtor e exportador de mísseis com cargas cluster.

A posição simplista, estimulada pelo mito do “país pacífico”, de que um conflito armado envolvendo o Brasil seria algo extremamente improvável, desqualifica a importância do debate sobre a detenção deste tipo de munição pelas Forças Armadas brasileiras. Infelizmente uma guerra muitas vezes não depende da vontade de um país de participar ou não dela, tampouco da tradição não-militarista da nação envolvida. É verdade que vivemos em um período de estabilidade, em um Estado democrático que desenvolve uma cultura cada vez mais pacifista, que precisa ser estimulada ao máximo. No entanto, não é preciso procurar muito para encontrar reviravoltas históricas que acabam levando a um período de instabilidade.

Quando este conflito for lançado (e será, pois estamos considerando o tempo relativo a uma nação, e não a uma geração), seja ele de pequenas ou grandes proporções, é importante que as regras sejam definidas com antecedência, e não durante o período de excessão onde os ânimos fervem e a urgência da guerra acaba provocando as ações e práticas desumanas, com as consequências que conhecemos muito bem.

As guerras começam e acabam, mas as bombas cluster não. Elas podem ficar no solo por até trinta anos após o fim do conflito, criando um campo minado oculto que pode ter consequências humanitárias devastadoras. Certamente não é este o tipo de herança que queremos deixar para os filhos dos sobreviventes dos conflitos.

O tratado banindo as bombas cluster e a posição brasileira





Código de Ética Homofóbico da Radiodifusão Brasileira

6 01 2011

Não poderia deixar de comentar esse texto aqui que eu estava lendo por causa do concurso que estou prestando, e que todo suposto candidato a jornalista deveria ler: o Código de Ética da Radiodifusão Brasileira. Ele reflete bem o pensamento conservador e retrógrado das poucas famílias donas da comunicação pública do país.

O documento, elaborado em 1993 para orientar a atuação das empresas de radiodifusão em relação ao público e entre si, carrega uma visão homofóbica e moralista, proibindo qualquer menção ao relacionamento sexual ou afetivo entre pessoas do mesmo sexo, admitindo no entanto “as sugestões de relações sexuais dentro do quadro da normalidade”.

O texto é hipócrita ao proibir a referência e a discussão sobre o uso de álcool e drogas, enquanto as grandes empresas de radiodifusão deitam e rolam com os lucros da publicidade de  bebida alcoólica, ainda que cada vez mais raras.

Código de Ética da Radiodifusão Brasileira (trechos selecionados)

Art. 8o – Os programas transmitidos não terão cunho obsceno e não advogarão a promiscuidade ou qualquer forma de perversão sexual, admitindo-se as sugestões de relações sexuais dentro do quadro da normalidade e revestidas de sua dignidade específica, dentro das disposições deste Código.

Art. 15 – Para melhor compreensão, e, consequentemente, observância dos princípios acima afirmados, fica estabelecido que:

1) São livres para exibição em qualquer horário, os programas ou filmes:

c) que não exponham ou discutam o uso e o tráfico de drogas, notadamente as alucinógenas e entorpecentes, não apresentem de maneira positiva o uso do fumo e do álcool;

d) que não apresentem nu humano, frontal, lateral ou dorsal, não apresentem visíveis os órgãos ou partes sexuais exteriores humanas, não insinuem o ato sexual, limitando as expressões de amor e afeto a carícias e beijos discretos. Os filmes e programas livres para exibição em qualquer horário não explorarão o homossexualismo;

e) cujos temas sejam os comumente considerados apropriados para crianças e pré-adolescentes, não se admitindo os que versem de maneira realista sobre desvios do comportamento humano e de práticas criminosas mencionadas nas letras “a” , “c” e “d” acima;

2) Poderão ser exibidos, a partir de 20 h, os programas ou filmes:

b) que versem sobre qualquer tema ou problema individual ou social, desde que os temas sensíveis ou adultos não sejam tratados de forma crua ou explícita nem apresentem favorável ou apologeticamente, qualquer forma de desvio sexual humano, o uso de drogas, a prostituição ou qualquer forma de criminalidade ou comportamento anti-social;

3) Poderão ser exibidos, a partir das 21 h, os programas ou filmes:

a) que versem sobre temas adultos ou sensíveis observadas as restrições ao uso da linguagem dos itens interiores e as restrições quanto à apologia do homossexualismo, da prostituição e do comportamento criminoso ou anti-social. Poderão ser empregadas palavras vulgares mas de uso corrente, vedada as de baixo calão;

4) Poderão ser exibidos após as 23 h os programas e filmes:

b) que não apresentem sexo explícito nem exibam, em “close”, as partes e órgãos sexuais exteriores humanos;

Comentário: será que os orgãos sexuais interiores são permitidos então?


Comentário: será que os orgãos sexuais interiores são permitidos então?




TCC – O ensino da infografia no Brasil e no mundo

17 11 2010






Evento debate proibição de ‘bombas-cacho’

11 11 2010

Vientiane, 10/11/2010
Primeira conferência entre países que aceitaram banir essas munições quer definir medidas para eliminar artefatos de alto poder destrutivo

Mine Action/Divulgação
Países que já usaram as bombas
África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Eritreia, Estados Unidos, Etiópia, França, Geórgia, Holanda, Iraque, Israel, Iugoslávia, Líbia, Marrocos, Nigéria, Reino Unido, Rússia e Sudão. 

Fonte: Cluster Munition Monitor 2010

Leia também
Acordo põe bomba de dispersão em xeque 

O apoio do PNUD à eliminação das bombas-cacho

DANILO BUENO IPOLITO
para a PrimaPagina

Delegados de mais de 110 países se reúnem até sexta-feira em Vientiane, capital do Laos (sul da Ásia), para discutir a implementação de um acordo que proíbe o uso de um tipo de munição de alto poder destrutivo, chamada bomba de fragmentação (também conhecida como bomba-cluster, bomba-cacho ou de dispersão). O objetivo desta primeira conferência dos membros da Convenção sobre Bombas de Fragmentação é definir as obrigações dos signatários e propor medidas concretas para banir esse armamento que já causou pelo menos 58 mil vítimas, segundo a publicação Cluster Munition Monitor 2010.

As bombas são geralmente inseridas em mísseis usados para atingir alvos em uma área de centenas de metros de diâmetro. O projétil funciona como uma caixa cheia de explosivos, que se abre antes de atingir o solo, liberando milhares de pequenos artefatos, que podem ter entre 100 gramas e um quilo. Um dos pontos mais criticados é que algumas bombas (entre 10% e 30%) não detonam no impacto com o solo e ficam ativas por décadas, colocando em risco a vida de civis, principalmente crianças, que são atraídas pelas cores brilhantes das munições. Assim, acabam funcionando como uma mina terrestre e, segundo a convenção, viola os tratados de direito humanitário, já que seu efeito ultrapassa o período do conflito e atinge indistintamente civis e combatentes.

O tratado internacional prevê a proibição do armazenamento, comércio e utilização das munições, estabelece a destruição do arsenal e prevê assistência às vítimas. Foi aberto para assinaturas em 2008 e entrou em vigor em agosto deste ano. A partir de agora, a nova regra passa a valer como norma vinculante de direito internacional e começam a correr os prazos de destruição dos estoques e suspensão do uso e da fabricação das bombas pelos países que ratificaram o acordo — 108 o assinaram e 46 o ratificaram.

“Ao colocar em vigor essa convenção histórica tão rapidamente, as nações enviaram uma mensagem clara de que as bombas-cacho não têm nenhum lugar no mundo de hoje”, afirmou Thomas Nash, coordenador da Coalizão das Bombas de Fragmentação, organização que luta pelo fim do uso desses armamentos. “Estamos encorajados com o fato de que pelo menos sete países já destruíram seus estoques nos termos do tratado. Os Estados devem manter o ritmo e cumprir com todas as suas obrigações”, declarou. De acordo com a entidade, Bélgica, Colômbia, Moldávia, Montenegro, Portugal, Noruega e Espanha destruíram milhões de toneladas de munições-cacho nos últimos anos.

Na conferência no Laos estão presentes representantes tanto de países que aderiram ao tratado quanto de nações que ainda não o assinaram. Também participam agências da ONU, como o PNUD, organizações internacionais e cerca de 400 pessoas da sociedade civil, incluindo algumas que sobreviveram aos artefatos.

Pelo menos 18 nações já fizeram uso dessas munições, segundo o Cluster Munition Monitor 2010, entre eles Colômbia, França, Israel, Rússia, Estados Unidos, Arábia Saudita e Reino Unido. Os EUA as usaram nos anos 60 e 70 durante a Guerra do Vietnã; no Líbano, em 1983; no Golfo Pérsico, em 1991 (no Iraque, no Kuwait e na Arábia Saudita); na antiga Iugoslávia (na Sérvia, em Montenegro e no Kosovo), em 1999; no Afeganistão, em 2001 e 2002; no Iraque, em 2003. O governo norte-americano é o único que teria usado as munições após a abertura de assinaturas para a convenção: segundo a Anistia Internacional, há suspeitas de que as Forças Armadas tenham recorrido a elas num ataque a um suposto campo de treinamento da Al Qaeda, em dezembro passado, no Iêmen.

O Brasil, que abriga empresas que fabricam, estocam e já exportaram bombas de fragmentação, não assinou nem ratificou o acordo. Segundo levantamento do Cluster Munition Monitor 2010 sobre a posição brasileira, o governo admite rever sua decisão no futuro, mas considera que a convenção não traz um equilíbrio entre necessidades de defesa e preocupações humanitárias.

Para Gabriel Valladares, assessor jurídico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, tão importante quanto pressionar o Estado brasileiro pela ratificação do tratado é entender por que o país ainda não aceitou o acordo. Segundo ele, essa questão pode estar ligada à geopolítica regional e ao espaço de liderança que o Brasil pretende ocupar no continente.

Apesar de não aderir à convenção, o Brasil é signatário da Tratado de Ottawa, que entrou em vigor em 1999 e proíbe uso, armazenamento, produção e transferência de minas antipessoa. O acordo previa a destruição total do arsenal até o final de 2009. O país também participa de missões de retirada de minas terrestres na Colômbia, no Equador e em Angola.

Na América do Sul, apenas Equador e Uruguai ratificaram a convenção. Chile, Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru assinaram o documento, mas ainda não o incluíram nas leis internas.





Proposta de inclusão da disciplina Infografia

31 10 2010

Este projeto (íntegra aqui) tem como objetivo estimular a discussão a respeito da instituição de uma disciplina de Infografia no currículo de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, tendo como base teórica o campo de estudos da Visualização da Informação. Essa proposta é fruto do meu trabalho de conclusão de curso, que está em andamento, sob orientação do professor Eugênio Bucci, que tem como objetivo analisar o ensino dessa disciplina no mundo e formular uma proposta para as escolas de Jornalismo brasileiras.

O meu primeiro contato com as discussões sobre Infografia ocorreu em 2006, quando participei do encontro da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) na Universidade Federal de Santa Catarina. Na ocasião tive a oportunidade de participar de um mini-curso sobre o tema ministrado pela professora Tattiana Teixeira, hoje a principal pesquisadora da área no país. Continuei a pesquisar sobre o assunto durante a graduação, enquanto estagiava no Núcleo José Reis de Divulgação Científica, onde organizei um grupo de estudos quinzenal sobre o tema.

As primeiras pesquisas sobre infográficos no Brasil estiveram intimamente ligadas ao campo do Jornalismo Científico, que compreende a infografia como um recurso valioso para disseminar esse tipo de conhecimento, que enfrenta várias barreiras para atingir o público leigo, e promover uma cultura baseada na aprendizagem empírica e humanista. No entanto, observa-se que a infografia superou há muito tempo esse campo de aplicação, transformando-se em um elemento fundamental em todas as esferas do jornalismo, principalmente em jornais, revistas e internet, mas também aplicado de forma cada vez mais profissional na televisão.

Um dos principais desafios dessa proposta é combater a ideia de que o infográfico é um recurso unicamente técnico ou artístico, de responsabilidade do designer gráfico ou do ilustrador, e de que o jornalista tem um papel secundário na formulação do conjunto de elementos que compõem esse tipo de estrutura. Este pensamento está ligado à ideia de que a qualidade ilustrativa do infográfico é o ponto central de sua importância editorial e que a forma se sobrepõe à informação no decorrer do processo de criação. Essa concepção é, no entanto, rechaçada por todos os infografistas entrevistados durante a pesquisa, que admitiram ter sérios problemas para combater essa ideia também dentro de suas redações.

Na verdade, a infografia é um recurso absolutamente informativo, com potencial para substituir o texto em algumas ocasiões ou mesmo contar histórias e revelar detalhes que não poderiam ser apresentados de outra forma. Justamente pela capacidade de mostrar detalhes que seriam incompreensíveis ou cansativos em um texto , o infográfico demanda uma apuração completamente diferente daquela feita para uma reportagem escrita, e tão minuciosa quanto.

Diagrama das coligações publicado na revista Época

Além de aprender a lidar com uma apuração diferente do jornalismo tradicional, o infografista precisa superar um desafio ainda maior, que é aprender a pensar visualmente a informação, superando a barreira do texto e sendo capaz de analisar com mais cuidado o teor do assunto que está sendo tratado. Por isso, essa proposta vai apresentar o conceito de Visualização da Informação, que trata não só da infografia, mas também de outros recursos visuais antigos e muito estudados, como a fotografia e outras formas de apresentação de dados, como mapas e gráficos, ou qualquer outro recurso capaz de simplificar e potencializar a transmissão da informação.

Entre os poucos consensos dos pesquisadores e profissionais da área de infografia está o de que nem toda informação tem potencial imagético. No entanto, existem pautas que podem ser melhor exploradas se o jornalista conseguir identificar mentalmente seu conteúdo visual. Para exemplificar essa ideia, tomemos como modelo uma matéria que se proponha a explicar a complexa rede de alianças entre os partidos políticos brasileiros, em nível estadual e federal, após a lei que permitiu que legendas que participam de uma coligação em uma esfera pudessem disputar o mesmo cargo em outro nível político. Um texto jornalístico poderia, com um pouco de dificuldade, dar conta de explicar a polarização entre PT e PSDB na disputa presidencial, mas como mostrar ao leitor a confusa dinâmica de coligações na eleição para governador? (ver Figura 1)





Para consultor do CICV, ‘bico’ policial deve ser regularizado

28 10 2010

Danilo Bueno Ipolito

De acordo com o coronel André Vianna, policial militar aposentado e consultor do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), a legislação deveria permitir aos policiais ter um segundo emprego na iniciativa privada, oficializando o chamado “bico”, que os agentes públicos muitas vezes realizam na área de segurança como forma de complementar sua renda.

Em uma coletiva de imprensa para estudantes de jornalismo, durante o 9o Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflito Armado e Outras Situações de Violência, promovido pelo CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), Oborè e Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), o coronel falou sobre o modelo norte-americano, que permite a algumas classes policiais cumprir missões de segurança particulares, cujas rendas são revertidas para o agente e para a instituição pública.

Segundo ele, o maior problema da falta de regulamentação é a segurança dos próprios policiais, que trabalham muitas vezes armados, mas sozinhos, sem equipamento e apoio tático necessário.

Uma alternativa que está sendo aplicada em algumas cidades brasileiras é o chamado “bico oficial”, no qual o policial trabalha para em seu horário de folga para o próprio poder público. Em São Paulo, a prefeitura é a responsável pela contratação dos policiais, que são encaminhados para reforçar a segurança em áreas estratégicas como a rua 25 de março, importante polo de comércio paulistano. A administração municipal pretende ter, até 2011, cerca de 5.000 PMs trabalhando nesse sistema, o que irá praticamente dobrar o efetivo de policiais remunerados pela cidade, formado principalmente pela Guarda Civil Metropolitana.

De acordo com ele, apenas recentemente a polícia retomou o mote de instituição cidadã, já que por muito tempo as corporações policiais foram estruturadas para suprir as necessidades do Estado. Apenas com o fim da ditadura militar, na década de 80 o conceito de polícia comunitária foi suficientemente reforçado para influenciar no treinamento dos novos policiais, com vistas a responder às demandas da população.

De acordo com ele, as autoridades impõem uma rigorosa seleção nos concursos para contratação de novos policiais. Diferentemente dos Estados Unidos, a regra no Brasil é que as instituições custeiem a formação dos policiais, através de um sistema de formação continuada no qual o agente é frequentemente avaliado em suas habilidades.

É também nos programas de treinamento que os agentes de segurança aprendem as regras básicas do Direito Humanitário, que reúne as normas a serem aplicadas em situações de violência. No entanto, na rua, longe dos olhos de seus superiores, o que rege a conduta do policial são suas convicções pessoais, aponta o coronel.

Por isso o treinamento policial deve estabelecer um perfil mínimo entre aqueles que pretendem fazer parte das instituições. “Determinadas condutas não podem ser admitidas em uma corporação que aplica a força”, afirma Vianna, que ressalta a importância de que os candidatos às vagas tenham bons antecedentes.





Arrogância branca, de social e óculos escuros

23 10 2010

Acordei às 7h aporrinhado com as filmagens que tinha que fazer naquela manhã, dia do soldado, para o documentário sobre Veteranos de Guerra que estava produzindo para uma disciplina do curso de jornalismo da Universidade de São Paulo, onde estudo desde 2005, e na qual pretendo me formar até pelo menos no final do ano que vem.Quem não tem colírio usa óculos escuros

Como todos os outros dias, segui a rotina, do café da manhã, do banho e da escova de dentes, mas aquela ocasião em especial exigia uma roupa um pouco mais sofisticada, o exército é tradicionalmente rígido no que diz respeito às vestimentas, à postura e o vocabulário utilizado dentro das suas dependências. Por isso vesti um sapato mais ou menos empoeirado e desconfortável que tinha no fundo da gaveta, uma camisa preta, nova, que ganhei de presente no antigo emprego e uma calça social preta, surrada e desbotada, que tenho desde não sei quando. Estava bem aquém da ocasião, mas mesmo assim, era algo bem diferente das camisetas furadas e das calças pula-brejo que me vestem em noventa por cento do meu tempo na Universidade. E também não esqueci meus óculos escuros, para aquela manhã ensolarada tão incomum naquela época do ano em São Paulo.

Eu desci do ônibus em frente à favela São Remo, comunidade de cerca de 3 mil habitantes que divide um muro com o campus universitário. Lá existe um portão que dá acesso ao campus, que me serve de atalho e me faz economizar 30 minutos no meu trajeto até o Departamento de Jornalismo, onde eu pegaria emprestado o equipamento de filmagem. Para chegar ao portão é necessário subir uma rua com cerca de 300 metros. Eu não sou o único que usa diariamente este atalho, na verdade o trânsito de estudantes por essa rua é bem intenso durante o dia e a noite. Ninguém se incomoda com o ponto de venda de drogas que fica bem no meio do caminho e nem com grupo de traficantes que fica por lá testando um pouco da mercadoria e batendo um papo. Todo mundo já aprendeu que, apesar da curiosidade, não se deve olhar para o beco onde eles entram para buscar a droga, deve-se passar de cabeça baixa e sem olhar nos olhos. Até mesmo os policiais do 16º Batalhão da Política Militar (que também divide um muro com a favela), já perceberam que o melhor a fazer é fingir que não sabem de nada.

Uma universidade, uma favela e um batalhão de polícia. Aquela tríplice fronteira tinha tudo para ser um local extremamente tumultuado, um lugar onde o conflito social mostrasse sua cara com a intersecção entre a repressão orquestrada pela polícia, o questionamento difundido na universidade e a pobreza que emana de uma favela. Mas é relativamente pacífico. Apesar disso, nesse dia quando desci do ônibus senti um certo temor de realizar aquele trajeto, tão trivial no meu dia-a-dia. E eu entendi imediatamente o porquê: eu estava parecendo extremamente arrogante entrando na favela de roupa social, sapato, óculos escuros e fone de ouvido. Esta percepção e o meu posterior conflito interno foi o que inspirou este artigo.

A roupa social só deixou mais evidente as diferenças entre aqueles dois mundos que estavam em contato ali naquela hora e que aparecem também toda vez que um estudante da USP, privilegiado de todas as formas possíveis nesta sociedade, com grandes sonhos e com muitas chances de realizá-los, passa por aquela ruela com casas simples de tijolo a vista, crianças de pé no chão jogando bola e empinando pipa e um insuportável cheiro do lixo que fica ali amontoado por dias, até a prefeitura decidir retirá-lo. Os óculos escuros, apesar de ser um objeto barato,comprado a 10 reais em qualquer camelô, deu o toque final na imagem de arrogante que eu via em mim mesmo. Apesar de tão simplório, o óculos escuros têm o grande poder de afastar a emoção, esconder o olhar e de inviabilizar qualquer relação com o outro.

Um dia, passando por este lugar algumas crianças me jogaram um pedaço de casca de melancia. Outras duas vezes eu percebi objetos voando na minha direção, mas que não me acertaram. Na hora tive vontade de correr atrás dos moleques e dar um belo safanão em cada um, mas seria inútil pois eu nunca alcançaria eles na corrida e, pensando melhor, eu possivelmente teria vontade de fazer o mesmo se estivesse no lugar deles…








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